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O caso que abalou a confiança no atendimento hospitalar em Brasília ganhou novos contornos nesta segunda-feira (19), quando a Polícia Civil do Distrito Federal divulgou informações sobre as investigações das mortes de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. As autoridades tratam agora os casos como homicídios, sob segredo de Justiça, enquanto a apuração continua em curso.
De acordo com as investigações, os óbitos ocorreram entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025, períodos em que os três pacientes — de perfis e idades distintas — apresentaram piora súbita sem explicação clínica aparente antes de morrerem. Familiares confirmaram ao g1 os nomes das vítimas: Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada; João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público da Caesb; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor dos Correios.
As apurações policiais indicam que técnicos de enfermagem que atuavam na UTI estão sob suspeita de envolvimento direto nas mortes. Um dos principais alvos da investigação é um técnico de 24 anos, que teria se aproveitado de acesso ao sistema do hospital para emitir prescrições e aplicar substâncias de forma irregular nos pacientes, incluindo doses elevadas de um medicamento que, em veia, pode causar parada cardiorrespiratória. Em um dos casos, ele também teria injetado desinfetante na veia de uma das vítimas, ação confirmada por agentes que trabalham no caso.
A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços em Taguatinga, Brazlândia e outras regiões, em uma operação que segue em andamento. Duas colegas de profissão do principal suspeito também foram detidas e são investigadas por possível participação ou conivência nos episódios letais.
Representantes das famílias das vítimas têm manifestado choque e indignação diante da reportagem da polícia, que caracteriza os fatos como ação de quem, justamente, deveria proteger e cuidar de pacientes debilitados. O caso segue sendo apurado com sigilo, incluindo as substâncias utilizadas e as motivações que levariam aos crimes atribuídos aos profissionais de saúde.


